Para impedir um desastre ambiental e o fim de atrativos turísticos naturais nas cidades de Socorro, Bueno Brandão, Munhoz e Tocos do Moji, o Movimento Cachoeiras Vivas entregou, no dia 7 de outubro, ao prefeito de Bueno Brandão, Jair Asbahr, à prefeita de Socorro, Marisa de Souza Pinto Fontana, e ao promotor de justiça de Socorro Dr. Elias Francisco Baracat Chaib, um abaixo-assinado, com 12.342 assinaturas, em favor da preservação das cachoeiras onde seriam construídas 5 mini-hidrelétricas na bacia do Rio Mogi Guaçu.
A idéia de buscar apoio dos moradores e visitantes das cidades afetadas, por meio do abaixo-assinado, surgiu em agosto quando foi anunciada a construção das chamadas Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) na região. Depois de correr pelos municípios de Socorro, Bueno Brandão e Munhoz, a lista de assinaturas se transformou em um importante documento para mostrar às autoridades locais e aos órgãos licenciadores a indignação da população que não quer ver suas cachoeiras comprometidas.
Com a entrega do abaixo-assinado, feita na Prefeitura de Socorro pelo presidente da Associação Ambientalista Copaíba, Gerson Augusto Ribeiro Silveira, e pelo coordenador do Núcleo Ambientalista de Socorro, João Gabriel Tannus Giacometti, os governantes municipais irão usá-lo como instrumento de defesa para impedir o empreendimento. O abaixo-assinado também será entregue aos demais prefeitos das cidades previstas para receberem as mini-usinas, aos promotores públicos e a outras autoridades.
Movimento luta por preservação das cachoeiras
Após receber a notícia de que empresas sediadas no Estado de Goiás pretendem implantar 5 mini-usinas hidrelétricas na bacia do Rio Mogi Guaçu, localizada no sul de Minas Gerais e no leste Paulista, para gerar no total até 5 MWh de energia, ou seja no máximo 1 MWh cada uma, a população das cidades sedes do empreendimento protestou em forma de correntes na internet e boca a boca nas ruas. A manifestação ganhou forma com o Movimento Cachoeiras Vivas criado por diversas Ongs e moradores das cidades ameaçadas pelas mini-hidrelétricas. As prefeituras e câmaras municipais de Socorro, Bueno Brandão e Munhoz também passaram a se empenhar e desenvolver ações na luta para a preservação das cachoeiras, com a criação da Frente Ampla do Sul de Minas e Leste Paulista em Prol das Cachoeiras Vivas.
As mini-usinas recebem incentivos do Governo Federal por se tratarem de empreendimento que, em tese, apresenta baixo impacto no meio ambiente. Por serem de pequeno porte, as CGHs estão dispensadas de licenciamento ambiental detalhado e também das audiências públicas onde as comunidades locais são ouvidas.
Porém, de acordo com o Cachoeiras Vivas, além de impactos ambientais irreversíveis, a perda no setor turístico é incalculável. Os participantes do Movimento não questionam a necessidade de ampliação da matriz energética nacional, o que eles querem é que se preservem os trechos hídricos, que são atrativos turísticos naturais, e consequentemente se mantenha o desenvolvimento econômico dos municípios através do turismo com geração de empregos e renda sempre pautados pelo princípio da sustentabilidade.
As Ongs que compõem o movimento Cachoeiras Vivas são: Copaíba, Projeto Piracema e GEA. Além das entidades, o Núcleo Ambientalista de Socorro, os moradores e visitantes das cidades afetadas participam ativamente do Movimento. Saiba mais sobre o Cachoeiras Vivas no
http://cachoeirasvivas.blogspot.com
Grupo vai à Brasília para defender cachoeiras
A luta em favor das cachoeiras da bacia do Rio do Peixe ganhou força no último dia 20 de outubro quando um grupo formado por autoridades, empresários e ambientalistas foi até a Câmara dos Deputados, em Brasília, para participar de uma audiência pública sobre a instalação das Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs).
Além da prefeita de Socorro, Marisa de Souza Pinto Fontana, o vice-prefeito, Jorge Fruchi, os vereadores Junior Sartori, André Bozolla, Luciano Taniguchi, João Pinhoni e o presidente da Câmara, Pedro Sábio, estavam presentes empresários e ambientalistas, entre eles o presidente da Associação Ambientalista Copaíba, Gerson Augusto Ribeiro da Silveira.
Os deputados federais Ricardo Trípoli, Roberto Santiago e Wanderley Macris, que estavam no encontro, também se posicionaram contrários à instalação das hidrelétricas. Uma nova reunião foi agendada com o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, uma das autoridades máximas do Governo Federal.
*Na foto da direita para esquerda, o presidente da Copaíba Gerson Augusto Ribeiro Silveira, o prefeito de Bueno Brandão Jair Asbahr, a prefeita de Socorro Marisa de Souza Pinto Fontana e o coordenador do Núcleo Ambientalista de Socorro João Gabriel Tannus Giacometti.