Obras da ciclovia em Socorro geram grandes discussões

Até que ponto vale a pena?

Vivemos num constante crescimento e desenvolvimento, se é que podemos assim chamar. Não só na nossa região, mas essa é uma problemática vivenciada em todo território nacional. As áreas urbanas aumentam aceleradamente, áreas rurais se transformam em expansões urbanas à qualquer custo, projetos de loteamento apresentados para todos os cantos dos municípios, sem critérios e planejamento algum.

Tamanha é a falta de planejamento que as ações e obras propostas, tanto por órgãos públicos quanto por empreendedores particulares, que os riscos dos prejuízos ambientais e sociais gerados podem se tornar irreparáveis. Isso é tudo o que não precisamos, frente às dificuldades que já são enfrentadas. Mais catástrofes? Inúmeras são as cidades que estão com uso restrito à água, ou já decretaram calamidade pública, diante da falta de água presenciada nesses últimos anos. Essa é uma realidade que não queremos.

Obras e mais obras são iniciadas, muitas vezes às pressas sem contemplar a essência daquilo que é proposto. A título de exemplo, as obras da ciclovia do Corredor Turístico de Socorro, servem nesse contexto.

Ciclovia, podemos considerar como sinônimo de momentos de lazer, ambiente agradável, proximidade com a natureza, atrativo turístico, já que a mesma está sendo feita com recursos do DADE (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias), ligado à Secretaria do Turismo do Estado de São Paulo. Tudo isso poderia ser proporcionado, pois o município de Socorro se permite, ainda, usufruir de lindas paisagens.

Porém, no lugar das árvores e da regeneração natural às margens do Rio do Peixe, que proporcionavam sombras e ajudavam a conter a erosão do solo, máquinas trabalham abrindo caminho para a ciclovia. O que era para ser um ambiente agradável, sombreado e harmonioso tende a ser uma área totalmente aberta e sem a cobertura da vegetação nativa que ali existia – árvores que muitas delas inclusive, foram plantadas pela Associação Ambientalista Copaíba.

Não podemos mais permitir tantas obras e ações sem planejamento, dentro dos nossos municípios. Dessa forma estaremos fadados a sérios danos e consequências negativas que nós mesmos teremos que reparar, se é que isso é possível. Esse problema, apontado como uma falha nas gestões municipais e em todo o país, pode estar atrelado as constantes flexibilizações  das regras e leis ambientais, que visam inclusive, evitar desastres ou outros prejuízos socioambientais.

A insuficiência de planejamento e de prevenção somada aos retrocessos nas leis ambientais, que temos vivenciado, podem nos levar a um caminho sem volta. Pense nisso.

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