Socorro, e o Morro do Cristo?

“Chego à sacada e vejo a minha serra,

a serra de meu pai e meu avô

de todos os Andrades que passaram

e passarão, a serra que não passa.

Era coisa dos índios e a tomamos

para enfeitar e presidir a vida

neste vale soturno onde a riqueza

maior é sua vista e contemplá-la”

Carlos Drummond de Andrade – A montanha pulverizada

Ao fechar os olhos e imaginar a cidade de Socorro é provável que muitos se recordem da torre da Matriz e de uma cidade cravada no vale de um rio. Mas todas as imagens recordadas terão certamente ao fundo um morro que tem uma imagem de Cristo no topo.

A paisagem é sempre uma herança, dizia o geógrafo Aziz Ab’Saber, e neste sentido é patrimônio coletivo dos povos que a herdaram como território de suas comunidades.

Todos os moradores de Socorro herdaram o Morro do Cristo como principal marco em sua paisagem. Foi aos seus pés que a cidade se fundou, é de seu mirante que podemos enxergá-la por completo e é nos caminhos da cidade que ele aponta se fazendo visível de várias ruas e vários cruzamentos: Predominando sobre as construções.

Entretanto, além de herdarmos o Morro do Cristo como imagem e representação de nossa identidade de Socorrenses, o herdamos também com uma topografia, um solo, uma hidrologia  e um ambiente determinados.

Temos hoje o Morro do Cristo como um grande aliado para a qualidade de vida da cidade. Dele nascem os principais córregos da área central de Socorro e sua vegetação preservada colabora para que a água seja absorvida pelo solo, evitando que as chuvas arrastem a poluição até o rio do Peixe.

Sob esta perspectiva, fica claro que o Morro do Cristo é importante para TODOS os moradores de Socorro, coletivamente, e que pensar seu destino é papel de todos os munícipes, com peso igual entre moradores do centro e dos bairros.

Mas afinal, o que queremos para esta área?

Atualmente o Morro do Cristo é classificado como área residencial no zoneamento da cidade, porém ele NÃO É ADEQUADO PARA URBANIZAÇÃO E HÁ RISCOS RELACIONADOS À SUA OCUPAÇÃO.

Em 2002 o Ministério do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, em parceria com o Serviço Geológico do Brasil executou o “Atlas Geoambiental das Bacias Hidrográficas dos Rios Mogi-Guaçu e Pardo” e a “Carta do Zoneamento Geoambiental da Região do Médio Pardo”. O Rio do Peixe e seus afluentes integram estas bacias e por isso Socorro foi um dos municípios analisados.

Nestes documentos o Morro do Cristo e a Serra da Pompeia são classificados com o nível mais alto de fragilidade frente à urbanização. Os riscos vão desde deslizamentos de terra, por conta da alta declividade e dos solos rasos, risco de diminuição da vazão das nascentes que afloram de águas antigas que infiltraram no morro, além de risco de contaminação dessas águas subterrâneas que se encontram no interior de rochas com fraturas próximas da superfície dos terrenos.

Diante de tudo isto, é urgente o posicionamento dos socorrenses no destino desta área, pois preservá-la não significa simplesmente fazer uma boa ação, mas construir com inteligência a cidade. Esta postura deve também ser levada adiante, no planejamento de todo o município.

Devemos colaborar para que Socorro não siga o exemplo de tantas metrópoles brasileiras, que na busca pelo progresso, acabaram por desenvolver apenas o atraso.

Precisamos debater estas questões.

Para mais informações, visite a página Salvem o Morro do Cristo no Facebook e, caso concorde com o exposto aqui e na página, assine também a petição a favor da conservação do Morro do Cristo.

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